A necessidade de partilharmos o esforço, de termos alguém que sinta o mesmo tipo de dificuldades nos treinos e nas corridas, que nos incentive a persistir e a melhorar, leva à procura de parceiros de treinos. Sendo a corrida um desporto individual por natureza, é frequente vermos pessoas a treinarem sozinhas, até porque, contrariamente aos desportos colectivos, para correr só é preciso ter equipamento e um local, uma estrada, um passeio, um jardim. São vários os casos de corredores que passaram anos sucessivos a treinar e a participar sozinhos em provas populares. Aliás, a equipa que tem sempre mais elementos numa corrida popular é a denominada «Individual». Obviamente que vários «individuais» poderão fazer, e fazem, treinos e corridas em conjunto.

Alguns corredores, pelos motivos já referidos, sentem a necessidade de ter parceiros de treinos. O ideal seria, no caso de um casal, que ambos treinassem em conjunto. Existem algumas situações destas, mas são pouco frequentes, até porque a grande maioria dos participantes em provas são homens (85% a 95%), embora aparentemente o número de mulheres esteja a aumentar.

Existem clubes desportivos que têm uma secção de corrida, sendo que alguns se dedicam essencialmente a esta modalidade (exs.: Lebres do Sado,Zatopeques, Clube do Stress, Pernas de Gafanhoto, Grupo Desportivo BES, Açoreana Clube Banif). Contudo, para que as pessoas se juntem para correr,é necessário que tenham outros interesses em comum, além da corrida. Os treinos podem demorar em acumulado, durante um mês, muitas horas, e é necessário conversar sobre diferentes assuntos para se ocupar o tempo. Existe também a possibilidade de se juntar o útil ao agradável, pela criação de uma rede de contactos que possa ser útil em termos profissionais. O Clube Run 4 Fun® é um bom exemplo desta situação.


A ideia inicial nasceu do encontro, numa corrida em Dezembro de 2007, de duas pessoas que tinham em comum o facto de darem, como complemento da sua actividade profissional na área da Gestão, aulas em cursos de executivos numa conhecida faculdade de Gestão, em Lisboa. Um deles mais velho, com perto de 50 anos (o João Ralha) e alguma experiência de corridas pedestres, tendo corrido algumas meias -maratonas. O outro com perto de 40 anos (o Paulo Gonçalves Marcos) e pouca experiência anterior de corridas pedestres. Mas ambos com vontade de evoluírem e com algum espírito competitivo, reconhecendo a necessidade de, juntos, poderem conseguir mais do que sozinhos.

No dia 2 de Julho de 2008, o Paulo, que treinava com o António Eusébio, e o João Ralha e companheiros, que treinavam na zona do Parque das Nações em Lisboa, decidiram fundar ali um grupo amador. Nasceu oficialmente o Run 4 Fun®! A primeira corrida em conjunto com 10 quilómetros de distância, após alguns treinos, foi efectuada uns dias mais tarde, a 19 de Julho, na lagoa de S. André. Em Dezembro desse ano, o co -fundador – que tinha inicialmente pouca experiência de corridas – fez a sua primeira meia-maratona.

Ao grupo inicial foram-se juntando alguns amigos e colegas que também corriam e alguns que começaram a correr com maior assiduidade após se juntarem ao grupo. Para congregar o grupo que já ascendia, passados alguns meses, a cerca de duas dezenas de pessoas, decidimos avançar com um nome de modo a criarmos uma identidade comum. Os co -fundadores, uma vez que estão ligados profissionalmente à área do Marketing, desenvolveram rapidamente uma ideia das razões pelas quais estavam a correr, tentando ao mesmo tempo criar uma marca atractiva e sedutora para potenciais aderentes. E assim nasceu o nome Run for Fun® ou R4F®, que nos pareceu um bom compromisso em função dos objectivos definidos. Outra forma de personalizar o grupo, além do nome pouco comum, que é simultaneamente um slogan, assentou ainda em desenvolver uma camisola identificativa e mais tarde criar um blogue como forma de comunicação privilegiada entre membros do clube e a comunidade. O primeiro post foi publicado no blogue em 25 de Setembro de 2008, três dias antes da corrida inaugural do grupo, em 28 de Setembro de 2008, a Mini da Vasco da Gama, tendo um dos elementos da equipa corrido a Meia-Maratona.

A partir daí o grupo cresceu e os resultados são extraordinários, nomeadamente em termos de superação de marcas. É rara a corrida em que não seja batido um PBT (Personal Best Time), o que resulta num extraordinário incentivo para todos os participantes. O espírito de grupo tem sido reforçado, nomeadamente através do que chamamos «reboques», em que atletas mais rápidos, e às vezes mais lentos, ajudam os colegas a conseguirem melhores tempos através da companhia, do incentivo e de um modo geral da partilha da sua experiência. Como corolário, na Maratona Carlos Lopes realizada em 10 de Maio de 2009, cinco atletas do grupo conseguiram, de modo confortável, sem cãibras ou paragens significativas, concluir a sua primeira prova deste calibre.