Maratona Porto 2014

Cada maratona tem uma história, muitas horas de treino e muita dedicação associada e é por isso que eu acredito que cada ano só tem espaço para uma ou duas maratonas. Depois de nos últimos dois anos as maratonas não terem acabado como eu queria, este ano tinha de ser para dar o máximo.

Foi a primeira vez que corri a maratona do Porto e devo confessar que fiquei muito bem impressionado com a organização da prova, com o ambiente da corrida e com o percurso. Mas acima de tudo, adorei o espírito Run 4 Fun durante todo o fim-de-semana. Obrigado a todos pelos incentivos e boas gargalhadas.

A prova começou com um ritmo normal e eu parti junto ao balão das três horas. Na descida da Av. da Boavista reparei que por acaso ainda estava junto ao balão e pensei que devia ter calma que não conseguia aguentar aquele ritmo a maratona toda, mas sentia-me bem e deixei-me ir. Continuei com o grupo do balão das 3:00 durante muitos Kms. Fiquei surpreendido por fazer PBT de 1:29 à passagem da meia maratona e acompanhei o grupo das 3:00 até ao Km 28. Devo admitir que foi giro correr no meio dos “profissionais” durante este tempo, mas a partir daqui as pernas não aguentaram o ritmo e tive de abrandar. Tenho mesmo de deixar de molengar nos longões, pensei eu para comigo na altura. Aos 32 kms a minha namorada estava lá para me dar um forte apoio (obrigado!) e eu lá ganhei energia para mais uns quilómetros, mas a partir daí já corria sempre sozinho e o percurso até à meta foi particularmente difícil. A subida até à meta parecia que nunca mais acabava e a minha cara nas fotografias é de bastante sofrimento, mas ainda assim consegui manter um ritmo aceitável. Tenho de agradecer ao Pedro pelo incentivo e à Rute e à Ana por correrem comigo um bocadinho da subida final!

No final acabei com mais coração e vontade do que pernas, mas consegui o objectivo das 3h10, aliás foi um PBT de 03:07:54 que me deixou muito contente. Agora as 3h estão mesmo ao virar da esquina e acho que o meu objectivo para 2015 vai ser baixar das 3h03 e quem sabe conseguir mínimos para Boston 2016.

 

RunAbraços,

Gonçalo

 


Principiante Run4Fun

Há já alguns largos meses em que pensava em começar a correr, fazer exercício e correr parecia-me uma boa opção, tanta gente a dizer que era viciante, é praticado ao ar livre e é grátis. Contudo quando pensava nisso sentia que quando começasse a correr não iria muito longe caso o fizesse sozinha. Ainda assim lá comecei a correr. Sozinha. Comecei bem lentamente, uns minutos a correr e alternava com caminhada. Cedo percebi que ao fim de meia hora me aborrecia e não passava daí. Até que tive conhecimento do vosso blog onde davam a conhecer o vosso grupo e que aceitavam que novas pessoas se juntassem. Lá fui. Comecei a treinar no Parque das Nações, às 3as e 5as, e claro, a corrida tornou-se mais fácil e divertida. Foi quando comecei a treinar com o grupo que comecei a correr mais até porque o tempo passa mais rápido em companhia. Sei que se não me tivesse juntado ao grupo já teria desistido da corrida porque não tenho motivação suficiente para conseguir correr sozinha. Um muito obrigada ao grupo de treinos da expo que sempre puxou por mim para ir mais longe deixando-me surpreendida comigo própria de cada vez.

 

 

A Minha 1º Maratona

 

Caros colegas do Run 4 Fun

 

Sei que é praxe, fazermos um breve resumo da nossa primeira maratona. Aqui deixo o meu testemunho sobre a minha 1º maratona em 05-10-2014.

 

As corridas no meu caso começaram há apenas dois anos e meio e por mera coincidência. Nunca gostei de correr e quando o fazia era com muito sacrifício. Esporadicamente corria aos fins-de-semana, no entanto passadas algumas semanas comecei a me propor objectivos e a concretiza-los. Primeiro corria três km, depois cinco, até conseguir chegar aos dez o que para mim era já um feito extraordinário. Fiz a minha 1º meia maratona em Outubro do ano passado e senti como se tivesse ultrapassado todos os meus limites.

 

A maratona

 

Começo por gradecer a todos os colegas que me deram força e me incentivaram a avançar para esta grande prova do atletismo. Todo o corredor tem de passar por esta experiência para poder decifrar o que relato abaixo.

 

 A espera foi dolorosa, os nervos à flor da pele, as dores de estômago, a vontade de ir ao wc enfim todos os sintomas de antecipação da prova. O começo foi lento e programado há medida que corria, parecia que as pernas não ajudavam, ao km 10 já me sentia muito cansado e com o meu subconsciente a mandar mensagens de desistência. Passei ao km 15 a sentir-me muito mais forte psicologicamente e com uma respiração calma e constante e com algum ânimo acrescido ajudado pelos companheiros de corrida que me iam transmitindo algumas palavras de conforto e persistência. Chegado ao km 21, pensei se fosse a meia maratona já estava conseguida, mas ainda falta o dobro, nesta fase da corrida ficamos emocionalmente afectados, mas com o companheirismo do meu grande amigo João Lima que perante as minhas queixas de cansaço me apoiava sempre a continuar e a nunca desistir. Quando cheguei ao km 28 as dores eram tantas que já mal sentia os pés, o amigo João Lima deu-me um analgésico que trazia para as dores de cabeça e passado algum tempo as dores abrandaram um pouco. Chegado há Praça do Comércio talvez ao km 30, pensava eu que ali era sempre a direito até à expo, mas não mandaram-nos virar para os restauradores, esta mudança de trajecto foi como me tivessem duplicado o percurso, sabia que iria nesta face ultrapassar a barreira dos 32 km e aí segundo os especialistas iria ser a fase mais difícil da prova. Aqueles 2 ou 3 km de prova na subida para os restauradores foram sem dúvida os mais difíceis para mim não pelo esforço despendido mas pelo emocional que teria de gerir. Chegado de novo á Praça do Comercio comecei então a correr para a Expo como se a meta estivesse mesmo ali à frente, mas quanto mais corria mais longe parecia o destino final. Passados os 36 km e faltando apenas 6 km para o final comecei a ter a percepção real que poderia acabar a maratona, mas no meu pensamento começavam a surgir as preocupações normais nesta fase da corrida, poderia surgir alguma lesão que pudesse por em causa todo o esforço físico e mental despendido e já quase esgotado. Quando passei a barreira dos 40 km a emoção começou a tomar conta de todos os meus músculos e senti várias vezes arrepios de frio, não sei se algum de vocês já teve esta sensação. Quando finalmente pisei a passadeira vermelha esta criou em mim um misto de emoções que dificilmente as conseguimos conter ou explicar. Ao passar a meta senti um orgulho enorme em mim e em todos os colegas que como eu já fizeram maratonas. A maratona na realidade tem a particularidade de testar o nosso limite de resistência, persistência e vontade de vencer.

 

Deixo aqui uma saudação especial para todos os maratonistas

 

Obrigado

Amorim